A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta terça-feira (8) a classificação soberana da Itália em três níveis, afirmando ver um “aumento concreto” nos custos de financiamento para países da zona do euro com elevadas cargas de dívida.
A Moody’s cortou o rating da Itália para “A2″, ante “Aa2″ e manteve a perspectiva negativa, sinal de que mais rebaixamentos são possíveis dentro de dois anos. A ação conclui a revisão do rating iniciado em junho deste ano.
As agências de classificação de risco, que dão notas para países, empresas e negócios, determinando sua suposta credibilidade financeira, foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009.
Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.
O rating, ou classificação de risco, refere-se ao mecanismo de classificação da qualidade de crédito de uma empresa, um país, um título ou uma operação financeira.
Ele busca mensurar a probabilidade de calote de obrigações financeiras, ou seja, o não-pagamento, incluindo-se atrasos e ou falta efetiva do pagamento. O rating é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de crédito do objeto analisado.
Preocupações com a Itália
Entre os fatores que levaram a agência a rebaixar a nota está o aumento dos riscos de financiamento de longo prazo para os países da zona do euro com alto nível de dívida pública, caso da Itália. Outro ponto de preocupação é o enfraquecimento da economia italiana devido às deficiências macroeconômicas estruturais e uma perspectiva de desaceleração mundial.
Devido às incertezas econômicas e políticas enfrentadas pelo país, a Moody’s ressalta também os riscos de implementação e o tempo necessário para alcançar as metas fiscais para reverter a tendência adversa de crescimento da dívida pública italiana.
“A perspectiva negativa reflete os riscos econômicos e financeiros em curso na Itália e na área do euro. O ambiente de mercado incerto e o risco de uma maior deterioração do sentimento dos investidores poderá limitar o acesso do país aos mercados de dívida pública”, diz o comunicado da agência.
Segundo a Moody’s, se esses riscos se materializarem e se a disponibilidade das fontes externas de liquidez de longo prazo continuarem incertas, o rating do país poderá se rebaixado para níveis de classificação “substancialmente” mais baixos.
Em meados do mês passado, a Standard and Poor’s (S&P) já havia rebaixado o rating de crédito soberano da Itália para “A”, também com perspectiva negativa.
Brasil está a anos de distância de “A”, diz Moody’s
Mais cedo, um analista da Moody’s afirmou que a transparência e o rigor fiscal podem ajudar o Brasil a subir de nível nos ratings soberanos, mas uma eventual mudança para “A” ainda está a anos de distância.
“O Brasil terá de criar uma nova trajetória” para sair de níveis mais baixos de investimento para notas superiores, disse Mauro Leos, analista para o Brasil da agência de classificação de risco Moody’s Investors Service.
Fonte: Uol Economia