Grécia contabiliza quantos credores apoiam ‘perdão’ da dívida para evitar calote

A Grécia contabiliza o apoio dos credores privados (bancos, fundos e seguradoras) ao perdão de mais da metade da dívida grega que possuem. Trata-se de uma operação crucial para evitar a quebra do país e, segundo autoridades, é a maior reestruturação de dívida de Estado já realizada.

A divulgação da adesão dos credores está prevista para esta sexta-feira, às 6h GMT (03h de Brasília), disse uma fonte ministerial grega. O anúncio deve ser seguido por uma teleconferência entre os ministros das Finanças da zona do euro.

Os bancos do mundo todo que possuem títulos da dívida grega tinham até as 20h GMT (17h de Brasília) desta quinta-feira (8) para declarar se participariam ou não voluntariamente da operação que pretende perdoar 107 bilhões da dívida pública grega.

Ao fim do prazo, autoridades se disseram otimistas em obter apoio de mais de 75% desses credores. A Grécia tinha advertido que suspenderia a operação caso ela não contasse com essa participação mínima.

Essa troca é considerada essencial para que a Grécia evite um calote descontrolado, já que ela permitirá à Atenas pagar os 14,4 bilhões de euros em obrigações que vencem no dia 20 de março.

O objetivo é reduzir o peso da dívida, que chega atualmente a 160% do PIB, para 120,5% em 2020.

Como deve funcionar a troca de títulos da dívida

Para cada 100 euros de dívida, a Grécia pretende oferecer novos títulos no valor de 46,5 euros e os investidores teriam que renunciar ao resto.
Com isso, eles devem receber dois tipos de diplomas: um emitido pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) por 15% do valor inicial e outros títulos emitidos pela Grécia por 31,5% do valor inicial, de modo que os detentores da dívida privada perderão 53,5% de seu investimento.

A troca concreta dos títulos deve acontecer na próxima segunda-feira para as obrigações de direito grego (177 bilhões de euros, que representa 86% do total) e em 11 de abril para as restantes do direito estrangeiro, segundo o calendário oficial.

 

Fonte: Uol Economia

G20 vincula ajuda do FMI a medidas anticrise na Europa

O G20 condicionará a entrega de mais recursos do FMI (Fundo Monetário Internacional) à criação de medidas anticrise na zona do euro, revelou neste domingo um delegado que participa da reunião dos ministros das Finanças do grupo, na Cidade do México.

O comunicado final do encontro previsto para este domingo destacará que estas medidas anticrise são uma contribuição essencial à estabilidade da economia mundial, acrescentou o delegado, que pediu para não ter o nome divulgado.

O delegado estimou que o reforço das medidas anticrise, essencialmente os fundos de resgate e de estabilidade europeus, já tem consenso suficiente entre os europeus.

Fora da zona do euro, o consenso é de que a Europa deva criar um mecanismo antes que o restante do mundo injete recursos do FMI, revelou o delegado, que participa da reunião ministerial do grupo das economias industrializadas e emergentes.

O tema da crise da dívida na zona do euro dominou as discussões entre os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20.

A União Europeia realiza na próxima quinta-feira, em Bruxelas, uma cúpula que discutirá os alcances do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES), que deve entrar em vigor em julho próximo.

MEDIDAS ANTICRISE MAIS FORTES

Os Estados Unidos pressionam por medidas anticrise mais fortes em função das capacidades europeias e sugerem, junto com o FMI, que se combine o atual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira ao MES, com o que a zona do euro poderá contar com 750 bilhões de euros em recursos contra a crise.

Mas a Alemanha, a maior economia da Europa, já advertiu que as medidas anticrise se manterão dentro dos limites da ortodoxia orçamentária e monetária.

Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), muito envolvidos na discussão do aumento dos fundos do FMI e do peso dos emergentes no organismo, também vinculam a ajuda aos europeus às medidas anticrise.

Segundo o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, os países emergentes darão mais recursos ao FMI desde que os europeus reforcem suas medidas para enfrentar a crise e cumpram com a reforma que prevê maior poder de decisão a estas economias no Fundo Monetário Internacional.

“Os emergentes vão ajudar os europeus desde que reforcem suas medidas de socorro e façam mais do que estão fazendo com os fundos de estabilidade. Também deverão cumprir com a reforma do FMI” acertada em 2010, que prevê um novo sistema de cotas e votos visando ampliar a participação das economias emergentes nas decisões do organismo, disse Mantega.

“Não podemos acertar um aumento de recursos sem a aplicação desta reforma” no FMI, concluiu.

 

Fonte: UOL Economia

Grécia aprova pacote de austeridade em meio a protestos; cem ficam feridos

O Parlamento da Grécia aprovou nesta segunda-feira (13) um impopular pacote de medidas de austeridade, que prevê profundos cortes em salários, pensões e de emprego. O “sacrifício” é exigido para garantir um empréstimo internacional de 130 bilhões de euros e evitar a quebra do país.

A decisão ocorreu em meio a uma onda de revolta popular. Cinemas, cafés, shoppings e bancos eram vistos em chamas na região central de Atenas, e manifestantes com máscaras pretas enfrentavam a polícia do lado de fora do Parlamento.

A polícia informou que 150 lojas foram saqueadas e 48 prédios incendiados na capital. Cerca de cem pessoas, incluindo 68 policiais, ficaram feridas e 130 foram presas.

Houve também violência em outras cidades, incluindo Salônica, a segunda maior do país, e as ilhas de Corfu e Creta, disse uma autoridade, que não quis identificar-se.

O primeiro-ministro, Lucas Papademos, fez um apelo à “calma” e disse que não permitirá o caos.

O projeto prevê a redução de 22% do salário mínimo (32% para os jovens de menos de 25 anos), a supressão de 15.000 empregos públicos e novos cortes de pensões.

A Grécia precisa de financiamentos internacionais antes de 20 de março, para pagar 14,5 bilhões de euros em dívidas e evitar um calote que poderá sacudir toda a zona do euro. A ajuda será concedida por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

A rebelião e a violência nas ruas dão uma prévia dos problemas que o governo grego enfrenta para implementar os cortes, que incluem uma redução de 22% no salário mínimo –um pacote que, segundo críticos, condena a economia a se afundar numa espiral de baixa ainda mais profunda.

Segunda-feira de contar prejuízo

Moradores e funcionários municipais de Atenas se voltavam nesta segunda-feira para a remoção de pedras, destroços e vidros estilhaçados das ruas da cidade.

Os bombeiros jogavam água nos destroços de prédios incendiados por jovens encapuzados durante os protestos do dia anterior.

Segundo a imprensa grega, 48 edifícios arderam total ou parcialmente, entre sedes bancárias, grandes lojas e galerias comerciais.

A perda mais sentida é provavelmente a do cinema Attikon, construído em 1881 num belo edifício neoclássico, que queimou durante horas alimentado pelos coquetéis molotov e o material inflamável das poltronas e dos velhos rolos de filmes.

Outro cinema também pegou fogo, o ASTY, que pagou o preço por no passado ter sido um centro de torturas da Gestapo durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Um lugar simbólico numa sociedade que se sente oprimida pelas pressões da Alemanha da chanceler Angela Merkel.

Cerca de 150 estabelecimentos comerciais foram saqueados e seus proprietários se esforçavam para limpar os destroços e os vidros quebrados, no início de uma semana que deverá produzir uma nova dor de cabeça para as seguradoras.

Apesar da situação econômica crítica do país, a prefeitura de Atenas prometeu aos comerciantes ajuda para reconstruir o que foi danificado.

Como foi a votação no Parlamento

Ao todo, 199 dos 300 parlamentares gregos apoiaram o projeto de austeridade, mas 43 deles –de dois partidos do governo do primeiro-ministro, os socialistas e conservadores– rebelaram-se ao votarem contra. Eles foram imediatamente expulsos de suas legendas.

A lei estabelece um corte orçamentário extra de 3,3 bilhões de euros apenas para este ano.

Difícil missão do premiê

Papademos, um tecnocrata que caiu de paraquedas na crise, condenou a pior onda de protestos desde 2008, quando a violência assolou a Grécia por semanas após a polícia atirar num estudante de 15 anos.

“Vandalismo, violência e destruição não têm lugar num país democrático e não serão tolerados”, afirmou ele ao Parlamento conforme preparava a votação.

Mas ele admitiu que será difícil impor as medidas de auteridade sobre a nação, já golpeada por vários anos de cortes.

“A total, oportuna e eficaz implementação do programa não será fácil. Estamos totalmente cientes de que o programa econômico significa sacrifícios de curto prazo para a população grega”, disse Papademos.

Pressão da União Europeia e do FMI

A União Europeia (UE) e o FMI afirmaram que eles tiveram promessas quebradas o suficiente e os empréstimos serão liberados somente com o compromisso claro de líderes políticos gregos de que vão implementar as reformas, independente de quem vença as eleições a serem realizadas provavelmente em abril.

A Alemanha, tesoureira da zona do euro, aumentou a pressão no domingo. “As promessas da Grécia não são mais suficientes para nós”, afirmou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, em uma entrevista publicada no jornal Welt am Sonntag.

“A Grécia precisa fazer a sua lição de casa para se tornar competitiva, seja em conjunção com um novo programa de resgate ou por outra rota que nós realmente não queremos tomar.”

Quando questionado se outra rota significava sair da zona do euro, Schaeuble disse: “Está tudo nas mãos da Grécia. Mas até mesmo nesse evento (a Grécia deixar a zona do euro), eles continuarão fazendo parte da Europa.”

(Com informações de Reuters, Efe e France Presse)

 

Fonte: Uol Economia

Líderes da Grécia chegam a acordo sobre reformas, confirma BCE

Os líderes políticos da Grécia chegaram a um acordo sobre reformas e medidas de austeridade para assegurar um resgate e manter o país de pé, confirmou o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. O anúncio foi feito horas antes de apoiadores financeiros da Grécia se encontrarem em Bruxelas nesta quinta-feira (9).

“Há alguns minutos eu recebi um telefonema do primeiro-ministro da Grécia, dizendo que o acordo foi alcançado e que foi endossado pelos principais partidos”, afirmou Draghi, em entrevista coletiva realizada em Frankfurt, na primeira confirmação oficial. Segundo ele, o BCE discutirá o acordo no final do dia.

Draghi disse ainda que o banco não tem um plano B para a Grécia, mas afirmou estar confiante de que todas as peças vão se encaixar.

Parceiros gregos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) estavam cada vez mais irritados com a ausência de um acordo sobre os sacrifícios que exigem em troca de um resgate de 130 bilhões de euros (US$ 172 bilhões), e o tempo está acabando para o país antes de um grande vencimento de dívida, em 20 de março.

O ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, foi para Bruxelas sem um acordo completo, após uma noite inteira de negociações com líderes dos três partidos de coalizão e com inspetores-chefe da UE e do FMI, que deixaram uma questão sensível -o corte de pensões- sem resolução.

Autoridades da Grécia disseram que os cortes previdenciários eram o ponto de atrito das conversas. Os líderes do país concordaram em reduzir o salário mínimo em 22%, mas conseguiram impedir que os bônus de fim de ano fossem descartados.

Porém, após outras negociações nesta quinta-feira, duas fontes do governo afirmaram que um acordo geral foi alcançado.

Reunião inconclusiva na quarta

Durante oito horas na quarta-feira (8), os líderes dos partidos políticos que apoiam o governo grego -social-democratas, conservadores e extrema-direita– discutiram uma resposta às exigências de novas medidas de austeridade por parte da troika e alcançaram um acordo em todos os pontos, à exceção dos cortes nas pensões.

Posteriormente, os representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia (CE) e do Banco Central Europeu (BCE), que lideram a delegação da troika, se reuniram novamente com o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, e o do Trabalho, Yorgos Kutrumanis, para tentar fechar o acordo.
Esta última reunião se prolongou por quatro horas e, embora tenha havido avanços, não foi possível obter um consenso no tema das pensões.
Ao término desta última reunião, por volta das 6h locais (2h de Brasília), Venizelos, anunciou que partiria “em breve” para Bruxelas a fim de participar da reunião do Eurogrupo, que terá o objetivo de analisar a questão grega.
“Disso depende a identidade europeia da Grécia e a permanência do país na zona do euro. É tempo de todos assumirem suas responsabilidades. Não há espaço para outras considerações”, advertiu.
Fonte: Reuters/EFE

Petróleo fecha em alta em NY e Londres

O preço do petróleo fechou em forte alta nesta terça-feira em Nova York, graças a um renovado otimismo pela situação na zona do euro, que não estaria entrando em recessão, segundo o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O barril de “light sweet crude” (WTI) com entrega em março, que abriu com perdas, subiu 1,50 dólar em relação ao fechamento de segunda-feira, a US$ 98,41 no New York Mercantile Exchange.

Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte com a mesma data de entrega fechou em US$ 116,23 no Intercontinental Exchange (ICE), com um avanço de US$ 0,30 em relação ao fechamento de segunda-feira.

No início das operações na Ásia, o Brent subiu aos US$ 116,70, seu pico desde agosto.

Em Nova York, o petróleo abriu com perdas antes de inverter a tendência para registrar uma forte alta, “em parte devido aos rumores provenientes da Grécia”, afirmou Rich Ilczysyn, analista da ITrader.

“O discurso de Ben Bernanke (presidente do Fed) também impulsionou (os preços), fazendo o dólar cair” frente ao euro, disse Ilczysyn.

O presidente do Federal Reserve declarou nesta terça-feira que não tinha certeza de que a zona do euro tinha entrado em recessão como muitos acreditavam.

“Certamente, há partes da Europa que estão em recessão, mas resta saber se a zona do euro em seu conjunto está em recessão”, disse Bernanke em discurso diante do Comitê de Orçamento do Senado.

No entanto, os analistas petroleiros afirmam que um documento do banco Goldman Sachs recomenda a seus clientes liquidar suas vendas a descoberto de petróleo para março, o que equivale a compras de curto prazo. “Este é o elemento mais importante”, declarou Ilczysyn.

Goldman Sachs também prevê um crescimento da diferença de preços entre o WTI de Nova York e o Brent de Londres devido a uma esperada queda do petróleo nos Estados Unidos.

 

Fonte: France Presse